segunda-feira, 18 de março de 2013

17/03/2013 - 7ª Meia Maratona Internacional de São Paulo (Yescom)



Fui correr esta prova com um objetivo: bater minha melhor marca na meia maratona.
Oficialmente eu tinha 01:56:28 na 12ª Meia Maratona Corpore (2011). Extra-oficialmente, 1:50:37 na 19ª Maratona Pão de Açúcar de Revezamento (outra 2011). Esta última foi uma prova com percurso aferido oficialmente, mas a cronometragem oficial não considerava minhas duas voltas exatas, e esse tempo de 1:50:37 foi minha marcação pessoal, não podendo ser considerado um tempo oficial. Mas servia como referência do que eu já pude correr.


Agora, quase 2 anos depois, senti que estava preparado para um sub-1h50. É uma marca ousada para os meus padrões, mas eu estava confiante. Uma semana antes eu corri a Abertura do Circuito Corpore na casa de 52 minutos (11Km, pace de 4:44min/km), que foi um ritmo bem forte para mim.
Em plena planilha de treinos para a maratona (originalmente SP, agora PoA), planejei duas meia-maratonas oficiais para tentar um recorde pessoal. E ele já veio na primeira tentativa.


No domingo acordei bem cedo, comi e fui para SP planejando encontrar um bom lugar para estacionar o possante. O local de costume já estava cheio, 1h antes da largada, e os flanelinhas brotavam a todo momento. Para evitar atritos desnecessários, parei o carro bem longe, mas ainda havia bastante tempo e fiquei tranquilo.
Encontrei algumas pessoas antes da largada, procurei uma alternativa às filas gigantescas para o banheiro e, faltando 15 minutos para a largada, fui me posicionar no pelotão. Acabei ficando razoavelmente perto da largada (uns 20 metros).


A buzina soou pontualmente às 7:30 e parti para meu desafio pessoal. O começo é um estudo das condições reais, como o corpo responde ao ritmo proposto, e não posso forçar demais nem aliviar demais. Acabei conseguindo fechar o primeiro quilômetro em um ritmo bacana, pouco abaixo de 5min/km. Mas o segundo quilômetro foi mais forte, e fiquei ligeiramente preocupado em não passar do limite aceitável. Antes da marca de 3 Km há uma subidinha chata que quebra o ritmo, mas não comprometeu. A placa 3 estava caída, e não marquei corretamente esta parcial. De qualquer forma, eu estava um pouco mais rápido que a média planejada, o que era aceitável para dar uma margem de segurança.


Já no minhocão fui mantendo o passo firme e recalculando o planejamento várias vezes. Eu estava me sentindo bem, e a motivação estava alta. O clima também estava muito favorável, com céu nublado e temperatura amena (creio que na casa de 20°C).
Após o primeiro retorno do Elevado, meu colega Rei passou por mim e falou "estava difícil te acompanhar". Claro que foi uma graça da parte dele, que corre muito mais rápido que eu. Mas desta vez a diferença entre nós dois realmente estava visivelmente menor. Ele costuma me passar batido, mas nessa corrida ele foi abrindo vantagem lentamente.


Pelo percurso havia muitos postos de água. Um deles estava na marca de 6 Km, e aproveitei para ingerir meu primeiro gel carboidrato. Eu não estava certo se isso seria uma boa ideia, pois poderia pesar na barriga e comprometer minha prova. Mas não senti qualquer problema, graças a Deus.
Até ali eu vinha mantendo uma média abaixo de 5min/Km e o percurso estava entrando numa série de pequenos trechos de zigue-zague. O trajeto da prova é majoritariamente plano, mas tem várias curvas que não chegam a atrapalhar, e servem até para tirar uma possível monotonia.
Passei a marca de 10 Km na casa de 48 minutos, um ritmo muito bom, que dava uma boa margem para a segunda metade da prova. Na marca de 11 Km comecei a perceber que não seria possível manter o sub-5 min/km até o final. Recalculei o quanto poderia desacelerar, mas este recálculo quase me desanimou, o que percebi a tempo de não permitir uma queda de ritmo muito acentuada.
Não vi a placa de 12 Km, mas o GPS permitia que eu tivesse uma noção do ritmo que estava indo, pouca coisa acima dos 5min/Km. Alguns viadutos quebraram um pouco o passo mas eu sabia que a margem de segurança construída na primeira metade da prova era muito boa, e não desanimei.
Um pouco após a marca de 15 Km tem uma subida chata novamente. Desta vez eu já não estava tão forte como no começo. Reduzi o passo e fiz meu melhor dentro do cenário possível. Voltamos a correr no Minhocão e tudo que eu pensava era em manter meu ritmo dentro do planejado. Queria acabar logo a prova e conquistar meu recorde tão batalhado. Estava tudo certo até ali, eu não poderia estragar tudo no final.


A cada desânimo que tentava surgir eu respondia para mim mesmo que este seria o dia da minha conquista. É impressionante como pensamentos tão opostos surgem com uma força tão representativa. Até em cortar o caminho eu pensei, que absurdo!
De volta à Avenida Pacaembu, talvez a maior reta da prova, faltavam apenas 2 Km para a linha de chegada. Verifiquei o cronômetro, tudo em ordem. Só uma catástrofe (como andar) me tiraria da janela sub-1h50. Tomei cuidado de não querer fazer um esforço final, que poderia economizar alguns segundos do tempo final. Preferi ser cauteloso e garantir o que já estava praticamente ganho.
Ao entrar na Praça Charles Miller novamente e avistar o pórtico de chegada, vislumbrei o marcador indicando 1h45. Que alívio! Alguns segundos depois fechei esta memorável performance, com minha marcação pessoal mostrando 1:45:36. Ufa!
Missão cumprida! Glórias a Deus!
Não me senti esgotado nem com dores relevantes. Sei que fui no meu limite, sem abusar, embora em muitos momentos percebi estar acima do recomendável. Forcei minha performance o tempo todo, só aliviando um pouco em algumas subidas e para tomar água ou gel.
Enfim, tudo colaborou para esta conquista. Talvez algum dia eu até consiga melhorar este tempo, mas não tenho este objetivo neste momento. Estou muito satisfeito com o resultado e talvez este seja o meu recorde para a vida. O tempo dirá.
Lembro que na primeira vez que corri a meia maratona sub-2h eu pensei que não valia a pena tanto esforço. Naquele momento eu não estava feliz. Mas desta vez eu fiz um tempo ótimo e fiquei feliz. Então, se este tiver sido meu melhor tempo da vida, terá valido à pena. Já valeu. O que vier daqui para frente é lucro.

GPS: http://www.endomondo.com/workouts/167674702/8052989

ua

8 comentários:

Fábio Namiuti disse...

Excelente tempo, Fabão, parabéns por ele. Que, independente das marcas, você possa sempre estar feliz ao final das provas.

Abraço!

ALESSANDRO A GUIMARAES disse...

Parabens, Fábio , bater recorde nesta prova é dificil chegada em subida, e tirou muito !!! valeu seu esforço... Agora a Meia da Corpore, tira alguns segundos ali.....

Fabão disse...

Namiuti, você identificou o ponto exato que justifica toda nossa dedicação: a alegria de alcançar nossas metas. Desejo a todos, em especial a você, que sintam a mesma alegria que estou sentindo.
ua

Fabão disse...

Oi, Alessandro.
Apesar da chegada ser em subida, não chega a ser muito íngrime. Dá para manter um ritmo legal. Acho pior aquelas para acessar o minhocão. De qualquer forma, sempre é bom treinar uma ladeira para não ser pego desprevinido.
Também estou inscrito na meia da Corpore, em abril. A ideia original era correr forte, mas agora não sei o quanto. Quando chegar mais perto eu decido.
Agradeço pela visita.
ua

G.M. disse...

Mandou muito bem, Fabão.
Parabéns!

Fabão disse...

Valeu, Guilherme.
ua

Luis Nunes disse...

Fabio fizemos uma corrida parecida até na estratégia, na primeira parte acelerei bem, já na segunda dei uma diminuida no ritmo, acabei a prova pouco antes de vc. com recorde pessoal no 21km de 1h.42m37seg é muito bom bater recorde não é mesmo? Parabens!!


Fabão disse...

Oi, Luis.
Parabéns pelo seu recorde também. Acho que todos os fatores estavam favoráveis nesse dia, mas o principal é nossa busca pela marca.
Agradeço pela visita.
ua